quinta-feira, julho 09, 2009

Genesíaco

Silêncio de toda literatura
aqui começa o poema

Arde
fechado o mercado comum
onde o poema termina 

tarde

Poema impreciso
por nem ser preciso (tê-lo)
dado o completo (apelo)
de sua presença (rente)

Poema inconcluso
doce e confuso
desigual ruim
árido sol indefeso

Preso
sem paz
demente

Poema engasgado
a se esvair (de mim)

Poema ainda torto
beira do precipício
início do fim.

segunda-feira, março 23, 2009

Infinitude

Querer o indizível mágico
esbarra na mortandade do dia
pede o repouso do sono.

O que começa descamba
ao romper do ouvido:
arrima.

Palavra prima flore 
pétalas de céu
vida em pedaços
canta irresolvida
refaz o elo de toda voz
navega ao gosto da idade.

Rumo pelintra
bússola do mudo
olho vislumbra
tudo nada nada tudo.

Ir fundo
é desafiar o raso
rascunho do mundo.

Raso
a destilar o fundo
complexo de tudo.


quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Uníssono

Uníssono
a sonhar com a nota perdida
na calma proporcionada
pelo remoinho dos acontecimentos
é a mesma outra nota que surge
o mesmo novo som
uma oitava acima
quantas oitavas
abaixo
até te tocar
na afinação
dos harmônicos
haveres aprazíveis
em dar-te a pérola
canção que abre mundos
dança o ritmo das potências
rege as distâncias nuas
sublinha o pendor iletrado
que aos poucos nos aproxima.




sexta-feira, novembro 28, 2008

Cantada

Nos seus olhos
a natureza cavalga
asas que me espanto.

terça-feira, agosto 22, 2006

Minto

Não sinto meu corpo despedaçar-se
Não sinto meus olhos arderem
Não sinto aflorar a poesia
Na alvorada limonada suíça
Apartamento maloca oca
Lâmpada acesa
Tento o tempo
Atento à minha presa
Não sinto derramar os absurdos
Bocados de achados meticulosos.

Minto
Verdade é que sinto.